e são esses dias de expectativa e espera que me deixam cheia de forças e energias que não sei d'onde vem.
gosto de estar aqui e saber que logo ali alguma coisa me espera.

o melhor é não ser ninguém. e há tanto tempo não tem sido.
é a vida mesmo. é essa surpresa, esse riso gostoso ou a lágrima salgadinha chegando à boca.

ah! como amo a expectativa. ah! como me dá energia!!!!!!

contato.
pele em pele, boca em boca, suor em suor, palavra em palavra.

nunca é a mesma coisa, nem a mesma pessoa que fala, desfala e desata.
desata os nós e desanda a contar as peripércias de uma vida, verdade ou mentira?
é quando o fio de cabelo arrepia o pescoço nu. e o suor escorre etre os seios, deformando pelos e juizos crus.
os pés, ásperos, não guardam caminhos, mas os caminhos ah! quanta dureza levam. são lencóis em camas já bagunçadas que guardam uma noite de amor. são rios que consigo levam emoções de gente sã.

qualquer um que pensa, fala.
mas de contato, sem esforço, a vida não tem nada.

Manutenção

Além da cozinha, a limpeza.
Além do banheiro, a cama.
Além do lençol, as roupas.
Além do tecido, o corpo.
Além do visível, a comida.
Além de tudo, a mente.

presente de aniversário

lista de compras
José Dias

Fazia a lista de compras com um ar ligeiramente
Sonhador. Amachucava pedacinhos de papel
Que nos fim pareciam smarties.
- Estou sempre contigo, sempre.
- E tu pesas-me.
- Sem ti, sinto-me num vácuo.
- És de chumbo.
E na lista de compras lá vinha um quilo de arroz
Um litro de azeite, duas latas de atum.
O sol, como uma flor, fazia da cozinha
Uma festa, a que as cortinas conferiam ar de templo.
No fogão ardia o leite, ouvia-se o chiar
Da máquina de café e o coração
Como um atleta, cada vez mais pálido
Cada vez mais longe.
é quando me perco no meio desse turbilhão de tempo e história. olho, encaro, descaro. não tenho dentro de mim nada que possa matar alguém. só amor.
mas é tiro de amor pra tantos lados que matar fica difícil, mas pra ferir é só um passo. e bum!
ando armada. mas quem não anda?
todo mundo tem uma pedrinha de alguma coisa pra jogar. eu me esforço pra minha pedrinha ser de água com gotas de amor. pedrinha que cai macio e faz carinho em quem a leva consigo.
amor. quem não quer um tiro desses?
cadê o meu?
não me confundam com palavras bonitas, companhia na volta pra casa, carinho, abraço e beijinho. amor é mais.
será? amor é muito. só pode ser.
dá até medo de afogar em tanta coisa boa.
chove no meu asfalto. vai nascer arvore de quê?
minhas amigas são as mulheres mais bonitas do mundo,
meus amigos os de coração maior,
meus amores os fracassos mais gostosos,
e minha terra a que abraça mais forte.

já são vinteum!
Foi assim, um dia eu olhei em volta e vi que estava tudo virado. Corri, fui embora com a minha mochilinha vazia. Teve quem me olhasse atravessado, teve quem me desse a mão e fosse comigo e teve quem ficasse empurrando meu bumbum pra eu subir na carona daquela vida. Mas essas rodas levam a gente por estradas estranhas. Eu estou voltando. Vou chegar em breve pra ver outra vez o sol nascer bonito e as nuvens bailarem sobre meus tic-tacs. Enfrentei o mundo e agora ele vai me empurrando pr'aquele lugar que eu sempre gostei de estar. Eu não sabia. Eu sou do lado de lá.

a geladeira

Eu abri a geladeira neste fim de semana. Tudo estava congelado. Fazia tempo que não abria a geladeira. Foi difícil tirar alguma coisa de dentro, mas com um pouco de esforço e água consegui. Tirei morangos em leite condensado, torta de ricota da minha mãe, suco de uva integral, queijo cottage e tomate seco com manjericão.
Que é que explica a alegria de ter tudo isso de volta ao estado normal? Comer morangos com ricota, suco de uva condensado, queijo seco, tomate cottage e leite da minha mãe...

Este foi meu final de semana. Misturando dá alegria e paz de espírito. É receita boa.
Abrir a geladeira de vez enquando: essa eu vou anotar na lista das minhas coisas preferidas.
é impossivel negar.
a vida te empurra, te puxa, te joga de um lado pro outro. mas é sempre mais facil olhar para ela com indignaçao, lamentar, criticar, apedrejar....somos graos de areia levados com o vento e, sem tempo, nao vemos passar as paisagens aos nossos pés........e elas beijam, seduzem, queimam com o olhar. mas agente nao ve;

o amor é maior. e a dor, ardor quase insuportavel, sustenta o coracao perdido na tempestade de graos de areia. passam muitos com o vento..tao pequenos e insuportaveis quanto somos nós mesmos, tao leves e tao sem caminho. vamos.
minhas pernas quebraram no meio da tarde. mas é preciso caminhar.
meus braços foram imobilizados. mas é impossível não move-los.
minha boca foi costurada. mas tive que rasgar a carne e falar.
a dor. o prazer. e o desespero.
o gosto do sangue me alegra. o suor que molha meu rosto não é meu.
é o suor que deixaram em mim.
goteja o suor salgado......

o silêncio da gota ecoa em meio ao turbilhão de monstros e loucuras que vejo.
o mundo virado ao avesso.
a saida é fazer disso tudo a grande piada da vida. e fazer da gota a tempestade no nosso copo d'água.

a graça está em tudo...não posso deuxar de ver. nunca deixar de amar.