"Ah! Sempre que eu vejo um tubarão baleia eu choro!"
Enquanto uns choram soterrados, tentando ter fé na própria fé, outros mergulham no golfo do México e choram emocionados, sem lembrar que a fé existe.
mais uma dessas noites de insônia.
por minutos deixei passar a bebedeira que embala o sono e despertei para uma noite inteira.
intensa.
pensamentos desprendidos e desmedidos. são balões voando e subindo, subindo, subindo..
ou o algodão doce do senhor da rua do porto que mais parecia uma nuvem amarrada a um palito.
a magia da vida está escondida em pequenas coisas..e eu a procuro como as crianças procuram os ovos na páscoa. ou espiando por trás das cortinas, como quando esperava, nas noites de natal, que o papai noel aparecesse, dormindo de olhos semi abertos (até hoje o faço, assumo, todos os dias. olhos semi abertos são questao de segurança....ou cansaço..). nesse caso, as cortinas eram (são) meus próprios olhos, pálpebras pesadas que suporto carregar dia pós dia.
é que querer ter os olhos abertos, atentos, à caça, é cansativo e não pode passar de 24hrs.........
a sede quase sempre é equivalente ao tempo que consegue levar os olhos abertos. ela é alimentada pelas coisas que se ve, se sente e se toca. a sede passa dos limites físicos. faz delirar. imaginar mundos e fundos.......
a sede faz o sono acabar..
e algumas palavras tem o poder da cura...acabou a insônia, dormir é todo o detalhe da vida que quero espiar agora.
por minutos deixei passar a bebedeira que embala o sono e despertei para uma noite inteira.
intensa.
pensamentos desprendidos e desmedidos. são balões voando e subindo, subindo, subindo..
ou o algodão doce do senhor da rua do porto que mais parecia uma nuvem amarrada a um palito.
a magia da vida está escondida em pequenas coisas..e eu a procuro como as crianças procuram os ovos na páscoa. ou espiando por trás das cortinas, como quando esperava, nas noites de natal, que o papai noel aparecesse, dormindo de olhos semi abertos (até hoje o faço, assumo, todos os dias. olhos semi abertos são questao de segurança....ou cansaço..). nesse caso, as cortinas eram (são) meus próprios olhos, pálpebras pesadas que suporto carregar dia pós dia.
é que querer ter os olhos abertos, atentos, à caça, é cansativo e não pode passar de 24hrs.........
a sede quase sempre é equivalente ao tempo que consegue levar os olhos abertos. ela é alimentada pelas coisas que se ve, se sente e se toca. a sede passa dos limites físicos. faz delirar. imaginar mundos e fundos.......
a sede faz o sono acabar..
e algumas palavras tem o poder da cura...acabou a insônia, dormir é todo o detalhe da vida que quero espiar agora.
de um outro mundo que parece o meu.
sem correr
tiago yonamine
ilustração: marina faria
*mais em: http://www.fragmentos.bz/

não temos pressa. não procuramos simetria nas nossas vidas tortas. estamos de folga dos suspiros ofegantes. das cartas desesperadas. e dos telefonemas a meia-noite. não esperamos respostas para os sms’s sem perguntas. não falamos alto. não pedimos atenção. não trocamos flores, elogios e bem-me-queres. degustamos o tempo em seus compassos. não pulamos as vírgulas. os pontos. os travessões. não alimentamos grandes expectativas. nem cachorros abandonados. não planejamos o jantar. nem o final de semana. nem o nome de nossos filhos. não quero saber se teremos filhos. não esperamos que venham num cortejo de borboletas amarelas. estamos casulo. metamorfoseando. não tenho lindos sonhos que desejaria estar para sempre. não me lembro ao certo quando te conheci. nem se eu queria conhecer alguém naquele tempo. mas isso não importa nesse momento.
sem correr. só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade: eu e você não acontecemos por uma relação causal, mas por uma relação de significado. que ainda estamos trabalhando.
tiago yonamine
ilustração: marina faria
*mais em: http://www.fragmentos.bz/

não temos pressa. não procuramos simetria nas nossas vidas tortas. estamos de folga dos suspiros ofegantes. das cartas desesperadas. e dos telefonemas a meia-noite. não esperamos respostas para os sms’s sem perguntas. não falamos alto. não pedimos atenção. não trocamos flores, elogios e bem-me-queres. degustamos o tempo em seus compassos. não pulamos as vírgulas. os pontos. os travessões. não alimentamos grandes expectativas. nem cachorros abandonados. não planejamos o jantar. nem o final de semana. nem o nome de nossos filhos. não quero saber se teremos filhos. não esperamos que venham num cortejo de borboletas amarelas. estamos casulo. metamorfoseando. não tenho lindos sonhos que desejaria estar para sempre. não me lembro ao certo quando te conheci. nem se eu queria conhecer alguém naquele tempo. mas isso não importa nesse momento.
sem correr. só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade: eu e você não acontecemos por uma relação causal, mas por uma relação de significado. que ainda estamos trabalhando.
rimas tontas.


Vejo os olhos perdidos se encontrarem e novos caminhos seguirem os pés pequeninos.
Em tribos se perdem seus sorrisos e pelas estradas vão suas rodas carecas, carregando como se fosse apenas uma bagagem, toda a vida que já conquistou.
O coração, que tem espaço pra muito, já não é tão puro, pois a vida maltratou. Mas o caráter, tão lindo quanto as pinturas em seu corpo, anda sempre limpo e pronto pro novo amor.
E ama tanto que esgota os vilarejos, as mulheres, os homens, as crianças e o mar. E por isso é itinerante, é que um coração amante sofre quando não sai do lugar.
Seu amor é como uma pipa, que agarrada por um fio, às vezes perde o controle e ninguém sabe onde vai parar.
Te vejo a andar pelas ruas, o sorriso sempre a postos. Se atrasado, voltaria pra carregar as sacolas da velhinha. E se perdesse o emprego, sairia feliz pelos becos na tentativa do lamento comemorar.
Se ninguém pode prever o destino, ele é você quem faz. E faz melhor que muitos e poucos. E deixa os tontos só a vagar.....
Ave certeira.
O mamão e a vovó.

Gosto de pensar que quando chegávamos em casa e a vovó ia abrir o mamão, eu ficava louca e vidrada com a estrela que aparecia no meio dele. Não entendia como podia uma fruta transportar tão linda forma.
Era assim toda quarta-feira que passava as tardes com a vovó. Erámos companheiras e nossa paciência ia até a feira e voltava, suportava treinos de tabuada, redações, histórias antigas e receitas gostosas. A vovó me ensinou a cumprir as promessas, a chegar na hora certa, a perdoar, lutar e a procurar estrelas dentro dos mamões.
Do meu dia de hoje...
São Paulo, BR, setembro de 2009.
A rosa.
A caminhonete vermelha levava um homem sozinho. Ao parar no farol se depara com um vendedor de rosas e não pensa duas vezes antes de comprar uma dúzia toda dos botões vermelhos. O vendedor lhe diz o preço e o galanteador tenta sempre pechinchar. Não consegue.
De dentro do ônibus meia dúzia de homens observa o acontecido.
O homem acaba comprando as rosas pelo preço que o vendedor impôs e leva as rosas aconchegadas no banco ao lado.
A meia dúzia de passageiros vibra ao imaginar uma noite de louco amor depois de um pedido de casamento ou perdão.
O homem, tolo completo, quis comprar barato sem perceber que, além das rosas, levava consigo a torcida de muitos outros homens que invejavam imensamente seu gesto de amor. Foi embora com o carro cheio.
(me questiono porque as histórias que tenho de rosas sempre carregam homens de boas intenções e bolsos vazios)
A rosa.
A caminhonete vermelha levava um homem sozinho. Ao parar no farol se depara com um vendedor de rosas e não pensa duas vezes antes de comprar uma dúzia toda dos botões vermelhos. O vendedor lhe diz o preço e o galanteador tenta sempre pechinchar. Não consegue.
De dentro do ônibus meia dúzia de homens observa o acontecido.
O homem acaba comprando as rosas pelo preço que o vendedor impôs e leva as rosas aconchegadas no banco ao lado.
A meia dúzia de passageiros vibra ao imaginar uma noite de louco amor depois de um pedido de casamento ou perdão.
O homem, tolo completo, quis comprar barato sem perceber que, além das rosas, levava consigo a torcida de muitos outros homens que invejavam imensamente seu gesto de amor. Foi embora com o carro cheio.
(me questiono porque as histórias que tenho de rosas sempre carregam homens de boas intenções e bolsos vazios)
Do meu diário de viagem...
Cancun, MX, dezembro de 2007.
A rosa.
Ledo engano do destino forçar o encontro de dois corações tão diferentes numa mesma casa azul.
De brincadeira aprenderam a se gostar. Ele, de atitudes adultas, só presenteia quando o coração permite. Ela, criança nos sentimentos, adora dar presentes pelo puro prazer de ver a reação de quem os ganha. As vezes nada significam, as vezes são declarações, cabe a quem ganha adivinhar.
Mas naquele dia, o coração do menino disse sim. Passeando pelas ruas centrais de Cancun, viu passar um vendedor de flores. Levava rosas de todas as cores em uma cestaria típica mexicana e estampava as ruas com seu rosto indígena e seu cabelo liso e extremamente escuro. O garoto escolheu uma bem vermelha e, como de costume, pechinchou. Tomou a rosa em suas mãos e em seguida a passou para as mãos da garota. Arrependido pelo fato de ter querido economizar no presente, lhe pediu desculpas verdadeiras.
Ela, encantada pela ação, amou a rosa e o momento como nunca.
Dias depois iriam se separar, ela continuaria a viagem, ele voltaria para casa. Ao se despedirem as palavras de amor dele foram:
"Não jogue comida fora, economize dinheiro e tenha cuidado"
Ela, sem responder, lhe deu um abraço seguido de um beijo, aliviada por não ter mais que segurar sua alma quando ela queria voar. Ele voltou para seu mundo em busca de amores pechinchados. Ledo engano do destino juntar um coração empresário e um outro repentino.
A rosa.
Ledo engano do destino forçar o encontro de dois corações tão diferentes numa mesma casa azul.
De brincadeira aprenderam a se gostar. Ele, de atitudes adultas, só presenteia quando o coração permite. Ela, criança nos sentimentos, adora dar presentes pelo puro prazer de ver a reação de quem os ganha. As vezes nada significam, as vezes são declarações, cabe a quem ganha adivinhar.
Mas naquele dia, o coração do menino disse sim. Passeando pelas ruas centrais de Cancun, viu passar um vendedor de flores. Levava rosas de todas as cores em uma cestaria típica mexicana e estampava as ruas com seu rosto indígena e seu cabelo liso e extremamente escuro. O garoto escolheu uma bem vermelha e, como de costume, pechinchou. Tomou a rosa em suas mãos e em seguida a passou para as mãos da garota. Arrependido pelo fato de ter querido economizar no presente, lhe pediu desculpas verdadeiras.
Ela, encantada pela ação, amou a rosa e o momento como nunca.
Dias depois iriam se separar, ela continuaria a viagem, ele voltaria para casa. Ao se despedirem as palavras de amor dele foram:
"Não jogue comida fora, economize dinheiro e tenha cuidado"
Ela, sem responder, lhe deu um abraço seguido de um beijo, aliviada por não ter mais que segurar sua alma quando ela queria voar. Ele voltou para seu mundo em busca de amores pechinchados. Ledo engano do destino juntar um coração empresário e um outro repentino.
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